segunda-feira, 7 de julho de 2014

1.7

  Há exatamente 17 anos, uma mãe sorria ao dar à luz. Há 17 anos eu abria os olhos pela primeira vez. Eu chorava pela primeira vez, eu era aconchegada em braços quentes e amorosos.
  São exatos 17 anos e em momentos como este, fica difícil acreditar. Se torna complicado explicar o sentimento de ver o tempo passar tão depressa e igualmente devagar.
  Ainda me lembro de quando brincava de boneca. O quanto adorava isto. E o quanto me arrependo de não ter aproveitado aqueles momentos como deveria.
  Como poderia eu imaginar que faria tanta falta vestir uma Barbie com o vestido novo. Que correr pelas lojas a procura de brinquedos novos, deixaria um vazio em mim, agora que não faço mais isto. Fazem falta as birras, os choros e as chantagens feitas, só por causa de uma Barbie vestida de noiva.
  Eu sempre sorrio ao lembrar da minha infância. Apesar de tudo, eu vivi aqueles momentos, do jeito que era para ser naquele tempo. Isso é suficiente. 

  Pior seria se eu não tivesse vivido, só visto minha infância passar por meus olhos, como vejo diversas crianças fazerem agora que, a moda é brincar com Smartphones e iPhones. O bom é conversar pelo Whatsapp, mandar fotos nuas para um homem que nem conhece. É ter um Facebook e não conversar com ninguém pessoalmente.
  Vou parar por aqui, o texto de hoje não é sobre a perda da inocência tão precocemente.

  Sorrio quando recordo as vezes em que planejava meu futuro. A lista de carreiras que eu pretendia seguir incluía:
• Modelo
• Cantora
• Atriz
• Dançarina
• Professora
  É incrivelmente trágico observar a inocência de uma criança.
  Elas pensam - com uma pureza extraordinária - que no futuro poderão fazer qualquer coisa. Não há barreiras. Não há quedas e não há erros.
  O mundo são delas e não há quem tire o brilho de seus olhos. Exceto o tempo.
  Ah, o tempo. Aquele que transforma, liberta, amadurece, envelhece, cura e entristece.
  O tempo passou.
  E aqui estou eu. Contrária aquela garotinha que possuía a certeza de seu futuro.
  Aqui estou eu. Com o vestibular batendo na porta e uma incerteza gigante sobre o que fazer.
  Além da incerteza, tem o medo. O medo de não conseguir, o medo de errar, o medo de não satisfazer as expectativas impostas em mim. O medo do mundo e do futuro. O medo das minhas escolhas e das escolhas feitas para mim. Isto é irônico. 
  Eu não possuo o mundo nas mãos. Para conquista-lo, eu terei que lutar e consequentemente, vencer.
  Haverão dificuldades em cada curva que eu virar. A desistência rondará meus pensamentos todos os dias. Eu vou errar e cair. Chorar e persistir.
  Estou ciente destas barreiras, e mesmo assim lutarei contra mim mesma diariamente e persistirei. 
  Pois, compartilho a mesma virtude daquela garotinha. A virtude do desejo de conseguir. De querer vencer os obstáculos. De perseverar em meio a tempestade.
  Será um passo de cada vez. Não subirei a escada da vitória pulando degraus.
  Porque também haverão sorrisos e acertos. Alegrias e vitórias. Dedicação, esforço e lágrimas de felicidade.
  Todas as barreiras ultrapassadas terão válido a pena. E eu poderei ser o orgulho da mulher que, desde o dia em que soube que eu iria vir ao mundo, me amou.

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