quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Agora eu entendo [...]

Me sinto como o resultado de uma experiência química que não deu certo. Um erro.
Não a ninguém para culpar, ás vezes erros acontecem, é normal.
Aliás, não posso me culpar por ter nascido.
Mas eu nasci certo? Eu cresci e amadureci, e hoje sou alguém racional o bastante para entender o que se passa ao meu redor, principalmente em minha casa. Eu entendo agora. Eu entendo as brigas e discussões.
Quando se é uma criança brigas, são apenas brigas. Não a motivos para preocupação, porque no final tudo volta ao normal e você ainda recebe seu beijo de boa noite.
Quando se é uma criança, você é apenas um observador. E os pais podem impedir que você observe algo constrangedor ou traumático. A maioria dos pais pelo menos.
Mas há sempre exceções. Minha família é uma dessas.
E eu observei tudo, e guardei. Uma criança pode ser em vários momentos irracional, mas algumas memorias não são esquecidas − memorias que podem ser consideradas fortes, constrangedoras e traumáticas. Estas memorias são guardadas em algum lugar de nossa mente, apenas aguardando o momento certo para serem lembradas.
Quando o momento chega, não a nada que os pais ou qualquer outra pessoa possa fazer. O estrago já está feito.
Me sinto estragada mentalmente, talvez eu só esteja traumatizada. Sei somente que não estou bem, há algo de errado comigo. E pode ser qualquer coisa, menos drama.
Não é drama sentir-se como a razão por trás das brigas, discussões, agressões e separação.
Não sou culpada pelas brigas, mas certamente sou o motivo. Eu sou o elo que os une. Para sempre. Não existe ex-filho.
Então palavras dizendo que sou dramática não mudaram nada em relação aos meus sentimentos e minhas certezas. Não preciso de ninguém para dizer que é prejudicial para eu pensar assim, preciso apenas de um abraço. 

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