segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A mercê da dor [...]


Sabe, acredito que o corpo humano tenha um mecanismo especial que desliga a dor quando esta muito forte.
Como em acidentes com carros, às vezes quando os machucados são extremamente dolorosos, o cérebro se desliga, anestesiando assim o corpo. Bem, isso quando não há pessoas dispostas a dizer o quão feio estão seus ferimentos.
Meu corpo se comporta como se tivesse acabado de sofrer um gravíssimo acidente, estou toda machucada, sinto meu sangue escorrer por entre meus dedos, mas não sinto dor.
Estou anestesiada, a deriva, a mercê da dor.
O que sinto se resume em apenas uma pressão na cabeça, um aperto. Mas, esta pressão me deixa consciente dos acontecimentos ao meu redor, vejo tudo com olhos marejados de lágrimas quentes e salgadas.
Percebo que meu corpo anseia pela dor, anseia por algo além da pressão na cabeça. Desejo enfrentar minha dor e assim doma-la.
Infelizmente meu cérebro se recusa a religar aquele mecanismo capaz de anestesiar o corpo.
Acredito que esta recusa se dê pelo fato de que não estou preparada para tanto, pois a dor nunca vem só.
Desespero, angustia, medo, desesperança e raiva sempre a acompanham.
E afirmo que não quero nada disto, apenas quero a dor.
Imunidade a sentimentos não combina com minha personalidade depressiva.

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